São Paulo, 29 de janeiro de 2026 –  ANVISA em cumprimento do IAC nº 16 (STJ), a revisão da RDC nº 327/2019, a abertura para atualização da RDC nº 660/2022 e institucionalização do processo de implementação do Sandbox Regulatório

A Associação Brasileira das Indústrias de Cannabis e Cânhamo (ABICANN) é uma entidade nacional de representação setorial que atua, desde 2017, na interseção entre ciência, saúde, regulação, mercado, indústria, agricultura e inovação, promovendo o desenvolvimento responsável da Cannabis Medicinal e do Cânhamo Industrial no Brasil e com  diálogos e impactos nas Américas.

Ao longo dos últimos anos, a ABICANN e associados construíram uma rede ampla e diversa de cooperação institucional, que integra empresas fornecedoras de produtos de Cannabis para uso terapêutico e medicinal, universidades públicas e privadas, centros de pesquisa, Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs), pesquisadores, empresas inovadoras, como Startups Deep Techs, profissionais da saúde, produtores rurais, investidores de impacto e parceiros internacionais.

A ABICANN reconhece que este novo ciclo regulatório exige coordenação interinstitucional, respeito às competências legais de cada órgão e amadurecimento progressivo das soluções, evitando atalhos ou soluções precipitadas.

Este comunicado marca um novo momento para a soberania e pesquisa nacional, articulando redes de colaboração e futuro acesso aos pacientes. O Brasil entra, de forma institucionalizada, em um novo ciclo regulatório, no qual a técnica, a ciência e a responsabilidade sanitária passam a orientar decisões que, por muito tempo, foram adiadas.

Contexto e cenário: da omissão regulatória ao dever de agir

Em novembro de 2024, o julgamento do Incidente de Assunção de Competência nº 16 (IAC 16) pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu explicitamente a omissão regulatória e executiva do Estado brasileiro no tocante ao cultivo, à pesquisa e à produção soberana nacional de Cannabis para fins terapêuticos e medicinais.

Ao fazê-lo, o STJ determinou que o Estado brasileiro – por meio de seus órgãos competentes – estruturasse regras claras, seguras e executáveis, capazes de garantir:

  • o direito constitucional à saúde e à continuidade terapêutica;
  • a viabilização da pesquisa científica nacional;
  • a organização de cadeias produtivas reguladas;
  • o acesso a produtos de Cannabis com qualidade, rastreabilidade e custo mais acessível;
  • o fortalecimento da economia nacional e da soberania científica.

A atuação recente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) deve ser compreendida como resposta institucional direta a esse comando judicial.

Reconhecimento público à ANVISA e à Diretoria Colegiada

A ABICANN manifesta reconhecimento público e institucional à ANVISA pela condução técnica, responsável e transparente desse amplo processo regulatório.

Reconhecemos o papel institucional da Diretoria Colegiada da ANVISA (Dicol) e de seus diretores e diretoras, que assumiram a complexidade do tema e optaram por um caminho baseado em evidência científica, gestão de risco e supervisão sanitária, afastando soluções simplistas ou ideológicas.

A abertura para:

  • a revisão qualificada da RDC nº 327/2019;
  • a avaliação técnica da RDC nº 660/2022, sem fechamento abrupto de acesso;
  • e a instituição de instrumentos regulatórios inovadores, como o Sandbox Regulatório,

representa um avanço institucional relevante e alinhado às melhores práticas internacionais.

O Sandbox Regulatório como elemento estruturante do desenvolvimento técnico

A ABICANN considera a proposta de implementação de um Sandbox Regulatório exclusivo para Cannabis Medicinal, bem demarcado, o instrumento central deste ciclo inicial.

Trata-se de um ambiente regulatório experimental, supervisionado e temporário, que permite:

  • viabilizar pesquisa aplicada em universidades públicas e privadas;
  • estruturar projetos em ICTs e centros de pesquisa;
  • permitir a atuação coordenada de cientistas, pesquisadores, profissionais da saúde e empresas inovadoras;
  • testar cultivos experimentais, produtos e formulações com rastreabilidade;
  • gerar dados nacionais robustos para decisões regulatórias futuras.

O que essa proposta da ANVISA de Sandbox revela:

  • Sandbox não é licença permanente;
  • Não substitui atos normativos futuros;
  • Não cria direito adquirido.

Esse modelo de ferramenta (Sandbox Regulatório) é internacionalmente validado e foi decisivo, por exemplo, durante a pandemia de COVID-19, quando instrumentos regulatórios excepcionais permitiram o desenvolvimento acelerado de vacinas e terapias, sem abdicar do rigor científico.

Os dados gerados nesse ambiente experimental deverão subsidiar decisões futuras baseadas em evidência científica e avaliação de risco.

A ABICANN orienta que associados e parceiros institucionais avaliem tecnicamente a submissão de projetos ao Sandbox, especialmente nas áreas de:

  • saúde humana;
  • saúde veterinária;
  • Produtos fitoterápicos;
  • biotecnologia e bioinformática;
  • modelos inovadores de produção e controle sanitário.

RDC 327/2019 e RDC 660/2022: revisão com responsabilidade

A ABICANN reconhece o papel histórico da RDC nº 327/2019 na garantia inicial de acesso à Cannabis Medicinal no Brasil e entende como legítima sua revisão técnica, à luz da experiência acumulada.

Da mesma forma, reafirma que a RDC nº 660/2022 cumpre função constitucional essencial ao garantir a continuidade terapêutica por meio da importação excepcional, enquanto a produção nacional regulada é estruturada.

Defendemos que qualquer revisão:

  • preserve direitos já consolidados;
  • evite desassistência de pacientes;
  • integre associações de pacientes a modelos sanitários proporcionais;
  • fortaleça a fiscalização e a rastreabilidade;
  • prepare o terreno para a ampliação segura da produção nacional.

Impactos esperados: saúde, ciência, economia e SUS

A viabilização da pesquisa aplicada no Brasil permitirá recuperar o tempo perdido na geração de evidência científica nacional, com impactos diretos em:

  • desenvolvimento de medicamentos e produtos de saúde;
  • redução progressiva de custos para pacientes;
  • fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS);
  • criação de empregos qualificados;
  • atração de investimentos em inovação;
  • posicionamento do Brasil como produtor de ciência e tecnologia, e não apenas importador.

Próxima fronteira: Cânhamo e políticas públicas integradas

Em linha paralela e complementar, a ABICANN destaca a importância de diálogos sobre a agenda regulatória do Cânhamo Industrial, com baixo teor de THC e fora do foco de canabinoides, sob coordenação do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e em diálogo com o Ministério da Saúde (MS) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Essa agenda envolve aplicações em:

  • sementes para cultivos técnicos
  • grãos (nutrição humana e animal);
  • fibras técnicas;
  • biomateriais;
  • fitorremediação de solos agrícolas e degradados.

Trata-se de uma frente estratégica para produtores rurais, agroindústrias e cadeias industriais sustentáveis.

Públicos estratégicos do Ecossistema AMPERCIAS

Este comunicado dirige-se, de forma orientativa, aos seguintes públicos:

  1. Pesquisadores, universidades e ICTs – para estruturar projetos científicos e consórcios;
  2. Empresas inovadoras e Startups Deep Techs – para atuar em P&D regulado;
  3. Profissionais da saúde humana e veterinária – para geração de evidência clínica;
  4. Produtores rurais e agroindústrias – para preparação da agenda do Cânhamo Industrial;
  5. Investidores financeiros e de impacto – para apoio a projetos baseados em ciência;
  6. Parceiros internacionais – para cooperação técnica, científica e industrial.

Resultados alcançados e revisões necessárias

Resultados já alcançados:

  • reconhecimento da omissão regulatória pelo STJ;
  • abertura do ciclo regulatório pela ANVISA;
  • institucionalização do processo de implementação do Sandbox Regulatório;
  • revisão estruturada das RDCs existentes.

Revisões ainda necessárias:

  • consolidação normativa pós-Sandbox;
  • ampliação progressiva da produção nacional;
  • integração regulatória com o MAPA;
  • fortalecimento da fiscalização e da governança

Contatos Institucionais – Cooperações e Parcerias

A Associação Brasileira das Indústrias de Cannabis e Cânhamo (ABICANN) mantém canais institucionais e governamentais abertos para cooperação técnica, científica, regulatória e econômica, incluindo parcerias com universidades, centros de pesquisa, empresas, investidores, ambientes de inovação e órgãos públicos.

Coordenação Institucional e Relações Estratégicas (ABICANN)
E-mail institucional: portal@abicann.org
Site institucional: www.abicann.org

As manifestações de interesse, propostas de cooperação, contribuições técnicas e solicitações de agenda deverão ser encaminhadas exclusivamente pelos canais institucionais acima, sendo avaliadas conforme critérios de alinhamento, integridade, viabilidade técnica e interesse público.

Cannabis Medicinal: uma virada de chave institucional

A ABICANN acredita que estamos diante de uma virada de chave regulatória, na qual a visão técnica, científica e institucional tem a oportunidade de prevalecer.

Seguiremos atuando com responsabilidade, diálogo e rigor técnico, honrando nossos associados, parceiros e colaboradores, e contribuindo para que o Brasil construa um modelo regulatório sólido, inclusivo e orientado ao interesse público.

Contem conosco!

Associação Brasileira das Indústrias de Cannabis e Cânhamo (ABICANN)
Em cooperação com o Ecossistema AMPERCIAS (ABICANN · CTICANN · IBCPA)

 

THIAGO ERMANO JORGE

Diretor-Presidente da ABICANN

Conselho Gestor e de Política Públicas

 

FÁBIO COSTA JÚNIOR

Diretor Científico da ABICANN

Conselho Científico e Tecnológico